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Geely EX5 na estrada: 450 km de SP ao Rio com o EV e o EM-i

São Paulo ao Rio de Janeiro — 450 km pela Via Dutra, com subidas, descidas e o eterno ritmo imprevisível das rodovias brasileiras. A escolha desse percurso para testar o Geely EX5 não foi aleatória: é exatamente o tipo de viagem que coloca à prova qualquer carro elétrico ou híbrido, revelando a eficiência real longe dos laboratórios e dos ciclos de homologação.

O desafio foi duplo — avaliar lado a lado as duas versões disponíveis no Brasil: o EX5 EV, de propulsão 100% elétrica, e o EX5 EM-i, com tecnologia híbrida de extensão de alcance. A pergunta central foi simples: qual delas faz mais sentido para o comprador brasileiro que quer tecnologia avançada, mas não abre mão de praticidade nas viagens longas?

Dois SUVs, uma mesma carroceria

Vistos de fora, EX5 EV e EM-i são praticamente gêmeos — carroceria crossover de linhas fluidas, para-choques integrados e um perfil lateral que equilibra presença de SUV com a leveza visual de uma berlina. A distinção real está embaixo do capô e, sobretudo, no painel de instrumentos quando a energia começa a diminuir na metade do trajeto.

O EX5 EV equipa um motor elétrico de 218 cv alimentado por uma bateria de 80 kWh, com autonomia declarada pelo ciclo CLTC superior a 600 km. O EM-i usa uma bateria menor, de 40 kWh, combinada com um motor a combustão que atua como gerador — esquema de range extender que elimina a dependência exclusiva da rede elétrica em trechos mais longos. Acompanhe as últimas notícias do mercado automotivo brasileiro para saber quando outros modelos com essa tecnologia chegam ao país.

Geely EX5 EV e EX5 EM-i percorrem a rodovia durante o teste de 450 km de São Paulo ao Rio
Registro: Geely

Na Via Dutra: onde cada versão revela seu caráter

Nos primeiros quilômetros saindo de São Paulo, os dois modelos mostram o melhor de si: silêncio de marcha, aceleração linear e suspensão calibrada para absorver o asfalto heterogêneo das rodovias brasileiras. O EX5 convence como carro antes mesmo de qualquer discussão sobre motor — é confortável, bem acabado e tecnologicamente coerente com seu preço.

A diferença começa a aparecer assim que o trajeto ganha altitude. A Serra das Araras consome energia de forma acelerada, e no EX5 EV o medidor de autonomia registrou uma queda relevante durante a subida — o tipo de comportamento que, em estradas com infraestrutura de recarga escassa, provoca o famoso range anxiety. A ansiedade não é irracional: depender de um eletroposto disponível e funcionando ainda é uma variável com margem de risco no Brasil.

O EM-i atravessou a mesma subida sem tensão alguma. O motor a combustão entrou em ação como gerador assim que a bateria chegou ao patamar mínimo configurado, mantendo a autonomia estável até o destino. Para quem faz esse tipo de percurso com frequência, esse comportamento tem peso real na decisão de compra.

Geely EX5 na Via Dutra — viagem de teste entre São Paulo e Rio de Janeiro
Imagem: Geely

Carregamento em rota: a infraestrutura que ainda se constrói

O EX5 EV precisou de uma parada técnica durante o trajeto. O processo em si foi tranquilo — o carro aceita carga rápida em corrente contínua de até 100 kW, o que permite avançar de 20% a 80% de bateria em aproximadamente 40 minutos em um eletroposto compatível. O gargalo não é o carro: é a consistência dos postos na Via Dutra, que ainda apresenta variação na disponibilidade e na confiabilidade dos carregadores.

Esse cenário muda gradualmente — o crescimento do mercado de elétricos brasileiros na faixa dos R$ 150 mil pressiona por mais infraestrutura e por investimentos privados em corredores de carga. Enquanto isso, o EM-i completou os 450 km sem nenhuma parada programada — o tanque de gasolina funciona como reserva de energia muito mais fácil de recarregar do que uma bateria longe dos grandes centros.

Interior: 450 km revelam o que o showroom esconde

Depois de horas na estrada, o conforto dos bancos dianteiros se mostrou acima da média do segmento — espuma bem calibrada, ajuste elétrico de série e suporte lombar adequado para trajetos longos. Os bancos traseiros entregam espaço generoso para pernas, mas o teto afunila levemente para passageiros com mais de 1,80 m.

O sistema multimídia com tela de 14,6 polegadas funcionou sem travamentos durante toda a viagem, com integração para espelhamento de celular e navegação por satélite responsiva. O único ponto de atenção encontrado foi o assistente de manutenção de faixa: em trechos de curva mais fechada na rodovia, o sistema gerou leve resistência no volante antes de se ajustar — comportamento que a maioria dos motoristas aprende a desativar nos primeiros dias de uso.

Vale destacar também o nível de garantia que a Geely oferece no Brasil. Em um contexto em que montadoras chinesas passam a competir com base em cobertura técnica — como vimos com a Chery e sua garantia vitalícia para baterias —, o suporte pós-venda torna-se um diferencial real na decisão de compra, não apenas a especificação técnica.

Geely EX5 EM-i Ultra — versão híbrida de extensão de alcance avaliada no Brasil
Fotografia: Geely

Qual versão vale mais a pena no Brasil?

A resposta depende diretamente do perfil de uso. Para quem mora na cidade, carrega o carro em casa com regularidade e faz ocasionalmente viagens longas com disposição para planejar paradas de recarga, o EX5 EV entrega a experiência elétrica completa: custo operacional urbano muito baixo, silêncio absoluto em marcha e tecnologia de tração sem perdas mecânicas.

Para quem percorre frequentemente rodovias entre cidades, mora em local sem estrutura de carga residencial ou simplesmente não quer planejar cada viagem em torno de eletropostos, o EX5 EM-i é a escolha mais pragmática. A tecnologia de extensão de alcance elimina o único ponto fraco do elétrico puro — a dependência de infraestrutura — sem abrir mão da eficiência em ambiente urbano.

Em ambos os casos, o Geely EX5 chega ao Brasil com proposta consistente: tecnologia de alto nível, acabamento premium e posicionamento que começa a desafiar marcas tradicionais no quesito custo-benefício. Para quem está avaliando outras opções eletrificadas no mercado nacional, vale conferir também a avaliação do Jeep Commander MHEV 2027, que percorre um caminho diferente no universo dos híbridos. Acompanhe a evolução completa do mercado automotivo brasileiro e fique por dentro de tudo pelo blog do Fullcarro.

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Bruna Cristina Souza
Jornalista automotivo · Fullcarro

Redatora automotiva · Fullcarro Brasil, 3 anos no setor

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Bruna Cristina Souza

Redatora automotiva · Fullcarro Brasil, 3 anos no setor

Contenido editorial publicado en Full Carro , ecosistema digital especializado en el sector automotor.

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